Thursday, September 17, 2009

“Escolha e sonhe em ter uma apartamento grande, que seja cobertura, escolha amigos bonitos, carros velozes, televisor gigante, ultimo modelo, claro... Escolha restaurantes requintados, eventos televisonados e com celebridades (ex participantes de reality shows não servem), escolha ser famoso, reconhecido, amado, invejado e poderoso. Você pode escolher tudo isso, mas para quê, se no fim de tudo uma linda representante do sexo feminino vai ferrar com sua vida? “

Pensamentos profundos e estranhas vibrações divagavam na torturada cabeça de um não muito acostumado ao consumo alcoólico.

Muito bem vestido dentro do seu terno Armani estava o beberrão conversando com uma figura gorda e mal humorada que se fazia de barman.

-- Mais uma cerveja e outra dose dessa bebida doce e vermelha .

--Problemas com mulher não é mesmo amigo – Puxou assunto, como de padrão fazem os indiscretos atendentes – Bebendo para afogar as mágoas... Percebi que hoje é o quinto dia seguido que senta se na minha frente e se encharca desse veneno líquido.

Com sorriso sarcástico, quase uma careta ele resolve sentimentalmente expor seus problemas em forma de filosofia barata.

-- Por que não conseguimos fazer nos escolhas direito? Por que qualquer saia cheirosa mexe irreversivelmente com nossos pensamentos – E agora, chorando como criança que perdeu seu brinquedo favorito desabava – Peguei aquela infeliz negociando informações aos meus concorrentes, e pior, além de ser muito ruim de cama, ela é burra!

Certamente ele omitiu que foi a danada da esposa que sumiu da vida dele, após conseguir o que queria: recursos financeiros!

--Ahhhh doutor – comenta o fora de forma do barman – Nunca vi um homem beber tanto por ter sido abandonado por uma mulher, essa é a maior dor de cotovelo.

Com os olhos brilhantes de lágrima e agora com sorriso espontâneo ele responde:

-- Esta bebedeira é para comemorar minha vitória, me livrei finalmente daquela desqualificada...

Monday, August 03, 2009

Alcanço a seguinte opinião: As pessoas deveriam ser semelhantes aos animais irracionais no que tange relacionamentos interpessoais... Não pretendo que a vida seja orientada por falsas vontades de se esquecer um passado ou por dissimulações, mas sim que não se perca oportunidades por simples entraves e mágoas imaginárias.

Mas como a prática é a melhor das escolas, foi provada a teoria de minha opinião, como? Em um simples puxar de assunto, com alguém, que por mais você queira esquecer, é importante em sua vida. De forma simples, até meio embaraçada ( Supostamente pareceu cantadas fracas, mas pode deixar, vou sofisticar as minhas investidas) a conversa foi desenrolando bem naturalmente. E acredite, foi agradável , algo que lhe faz bem e você nem sabe o porque. E agora quero que esta “agradabilidade” seja continuada... E que o anti herói seja inspirado por sua linda ruiva de olhos azuis!



Feliz aniversário, atrasado... E o presente está por vim, e bem mais que um singelo texto.

Wednesday, March 05, 2008

São 3 horas e 41 minutos da madrugada de uma porca e degenerada sexta feira do dia 28/02.... Estou provando na prática aquela máxima que diz: "Nada está tão ruim que não possa piorar". Rodando a esmo no meu Chevrolet Corsa nessa maldita noite dolorosa de ruas molhadas (Lama pode ser bem atraente), no banco ao lado com uma caixa de isopor com algumas latas de cerveja, não tão bem geladas, mas com certeza um recurso altamente necessário para o momento. Dos venenos que você é obrigado a provar, esse seria o melhor!

Mas já viram os olhos de um animal que sabe que está prestes a morrer? Pois agora o brilho opaco dos meus olhos vermelhos se assemelha aos de um touro no corredor de um matadouro, ele sabe que irá morrer.

Mas é nos momentos de fraqueza que reconheço minhas forças... Vão seus bastardos, arranquem meus testículos e joguem no telhado que eu ainda ficarei sorrindo daquilo que os mais otimistas chamam de “Problemas da vida”. Posso ser bem mais caustico e ofensivo que vocês possam imaginar... Minha acidez me envenena, mas também é meu combustível. E enquanto escrevo essas infames palavras eu olho tristemente pra minha filhote de Rottweiler vomitar e morrer lentamente de pavovirose.

Mas como diria Nelson Rodrigues, essa é a vida como ela é!

Fragmentos, por Leonardo Caetano

Sunday, January 13, 2008

Se há uma coisa a ser feita, ela merece ser muito bem feita... E assim pensava um motorista que acelerava nervosamente em uma estrada deserta ao amanhecer. O brilho forte da aurora de um dia sem nuvens em seu rosto o forçou prazerosamente a usar seus óculos escuros Aviator Ray ban. Debaixo das lentes esverdeadas havia um par de olhos atentos como os de um lince e vermelhos como tomate cozido. Com sua jaqueta de couro, cabelos bagunçados e uma natural secura na boca, mais parecia um vampiro recém desamaldiçoado, depois de ter passado a noite inteira sugando sangue de viciados em velocidade e consumidores vorazes de efedrina, mescalina e um universo indizível de estimulantes sintéticos. Estava na sua vigésima sétima hora de pilotagem, induzido a taurina, franol, marapuama, cafeína e muito rock n’ roll por uma estrada esquecida por qualquer entidade fiscalizadora ou policial, o que era essencial para sua missão.
Em seu Ford Maverick perigosamente preparado para rodar em alta velocidade por várias horas. Consumia apenas gasolina de alta octanagem “Burnout”, com seus 6 cilindros em linha e um turbo compressor de 1,7KG seu veiculo era uma maquina hedionda de 470 cavalos vapor. O grande “Tubarão Negro” (carinhosamente batizado pelo seu dono) não apenas desrespeitava leis de trânsito como excesso de velocidade, mas sim levava uma carga desconhecida, alem de criminosa e ilícita no estofamento do seu veiculo, por isso a alta velocidade e a loucura psicótica atrás do volante eram extremante necessárias.
O piloto era considerado o transportador mais eficiente, discreto e perigoso para qualquer tipo de contrabando, por terra, água ou ar ele sempre entregava a carga, nunca alem do prazo estipulado. Ninguém, nenhum grupo fora-da-lei ou a própria lei possuía sua identificação. Ninguém tinha conhecimento de seu nome, nacionalidade, local onde se escondia e muito menos seus hábitos fora de um trabalho. Apenas notoriamente conhecido com L. Viper, o piloto mercenário mais temido no mercado negro de contrabando, contravenções e ilicitudes em geral. Temido até pela própria lei.
Famoso por transportar raríssimos corais hawaianos para a Riviera Francesa em lanchas de corrida (o chamavam de o “Mago do Coral Negro”), papoulas indianas para Amsterdã, peyote mexicano para Trinidad & Tobago, colaborou com George Jung nos seus investimentos na costa oeste dos EUA, Califórnia, na famosa conexão Medellín/San Diego (onde até conheceu o El Padrinho) com seu velho Cesnar de um motor, alem de levar armas reservadas das forças armadas do Brasil e trazer cocaína pura da Colômbia contratado por um famoso traficante internacional. Seria a nova conexão Cali/Rio? Melhor não entrarmos nesse detalhe...
Enfim, o piloto era uma lenda viva e atuante no ramo de transporte ilícito e mortal do mundo do crime internacional. E em sua ultima reunião com seu mais recente contratante ele disse:

“Sou um maldito profissional. Sou um consultor em riscos, destruição e qualquer evento que envolva alta periculosidade... E se você possui algo a ser feito, merece ser bem feito! Enquanto meus rins não sangrarem, eu nunca entrego depois do prazo”.

Por Leonardo Caetano

Monday, December 10, 2007

Não Serve mesmo





Roberto Carlos sendo interpretado por Marisa Monte numa quase versão de Nelson Rodrigues, e tudo isso enquadrado numa realidade... Não tem preço!

Thursday, November 29, 2007

Viajante Solitário


“Poupei cada centavo e então torrei tudo subitamente em uma grande e gloriosa viagem à Europa...”
Essa sempre foi uma das premissas do escritor de origem Franco-Americana, Jack Kerouac. No seu livro Viajante Solitário (Lonesome Traveler) publicado pela editora L&PM, ele descreve de forma natural e na maioria das vezes em tempo real suas viagens, transcrevendo fielmente para o papel, não só os detalhes, mas também as emoções de momentos arriscados, difíceis e tantos outros agradáveis, mas sempre embalado a anfetaminas e estimulantes afins, como em On The Road (Outro livro do autor, lançado no Brasil com o nome Pé Na Estrada).
O livro é formado por 8 textos autobiográficos escritos de forma espontânea, com toda a dose de suave loucura e inventividade beatnick que apenas Kerouac, e suas raras influencias conseguem obter. São relatos de suas viagens feitas por trem, rodovias e até mar adentro.
Entre os destinos estão México, França, Marrocos entre outros. O interessante da obra, necessariamente na criação da mesma, é que o escritor não se enfiou em um apartamento confortável e esperou que sua imaginação entorpecida lhe presenteasse com uma ficção vendável.
Ele simplesmente realizou uma vontade, registrou em escritos e encontrou uma editora para publicá-los. Embora o livro possua uma escrita espontânea, sua leitura requer uma concentração extra, uma materialização da situação pelo leitor. Certamente uma das mais ressaltadas características do escritor e da própria cultura beatnick que o mesmo ousou difundir através de seus livros. Em viajante solitário é possível facilmente notar o desprendimento do viajante com detalhes materialistas, a busca de grandes prazeres nas coisas simples, no caso na arte de sair por aí sem destino.
A própria frase que inicia este resumo já diz: reunir algum recurso financeiro para ser gasto de forma rápida em uma grande e gloriosa viagem.
Por Leonardo Caetano

Friday, November 03, 2006

Duke #04 - O jogo é 21

Nunca é uma atitude inteligente querer revidar utilizando a força quando se tem uma arma apontada para sua cabeça, principalmente tão perto como se encontrava a Beretta de Rita. Dane se seus princípios de honra, não seria covardia acatar todas as ordens dadas.

__ Achou mesmo que eu faria um contrato verbal com um desconhecido para uma coisa desse tipo? – Disse ela com firmeza e a arma na mesma posição. Nem uma velha com mal de parkison erraria um tiro desses.

Enquanto Duke dirigia tentando manter o controle e avaliando friamente a situação, analisava todos os movimentos da mulher... Alem de manter atenção em que ela dizia.

__ Um presidiário recém libertado iria chamar muita atenção tendo recebido
5.189.500,00 colóns costaruiquenho andando por aí com uma boca grande e uma vontade consumista descontrolada.

__ E que droga você quer que eu faça? – Disse Duke enquanto tentava mentalmente converter a moeda. Sim os US$ 10.000,00 prometidos. A quantia era alta, definitivamente fez com que ele duvidasse do pagamento.

Eles já estavam nos arredores da cidade, agora em uma velocidade inferior.
__ Não se preocupe senhor Duke – Ainda com a arma firmemente apontada para o motorista – Receberá mil dólares referente a aposta que fizemos no bar e o restante em breve receberá instruções de como pagarei...

__Qual aposta? – Interferiu Duke confuso – Não me lembro de nada parecido.

__ Mantenha se calmo e vire na próxima rua. A aposta é fictícia não existiu. É só uma forma segura e “limpa” para se fazer o pagamento, e alem do mais, o imundo do barman confirmará essa aposta a quem perguntar. Lembra se da garrafa de Blavod encima do balcão, apostamos de onde vinha a coloração escura...

Sem muito entender porque tanta precaução para o pagamento e uma arma em sua cabeça, Raoul continuou dirigindo e no final da rua avistou a Chopper Hog , dentro de uma garagem aberta. Diminuiu a marcha do veículo ate parar

E ele olhou nos olhos falsos e verdes de Rita.
__ No porta-luva do carro, existe uma chave e ela abrirá um armário publico no terminal rodoviário – Ela falou descendo do carro, mas sem deixar de apontar a arma para Duke – Vá direto para lá, não fale com ninguém e abandone este carro no estacionamento.

Assustado com os acontecimentos do primeiro dia de liberdade, atônito ele observa Rita descer do carro. Ele se sentia fraco e por alguns segundos percebeu a chegada de uma apoplexia.

__ Não perca tempo. E você foi útil...

A raiva fez com que o sangue voltasse a irrigar o cérebro de Duke.

Ainda com a arma apontada ela olha o motorista assustado desaparecer na noite abafada.

No solitário terminal rodoviário, sentado num frio e desconfortável banco, olhando para a parede de armários com amassadas e mal pintadas portas de aço fino, Raoul sente a fadiga tomar conta de si. Não estava com medo, nem preocupado, nem decepcionado, nem envergonhado... Apenas se sentindo sujo e terrivelmente cansado.

Dormiu como um cachorro vira-lata naquele banco publico, impessoal e nada ergonômico.

Os primeiros raios de sol na sua face mal barbeada e a insistência de um nada humorado faxineiro acordaram Duke de forma desagradável. Eram os malditos sintomas de uma grande ressaca... Dor de cabeça, aquele desânimo infernal e o velho gosto de “cabo de guarda-chuva” na boca. Ainda recuperando seus sentidos, já sentado ele procura a chave com o numero 312 em seu bolso e caminha em direção dos armários.

Seria engraçado, porem era o que Raoul Duke queria, encontrar um pacote grande cheio de dinheiro, pegar a primeira condução para qualquer lugar longe daquele buraco infernal. Ao invés disso, havia um envelope escrito: Instruções.

Todo grande jogo possui suas regras e formas de serem burladas, e todo bom jogador deve conhecer muito bem ambas. Duke estava diante disso, como proceder nesse estranho e delituoso jogo. Abriu curioso, mas sem muita vontade o envelope e começou a lê as tais instruções.

Rita deixou bem claro como ele iria receber o pagamento:

“Esteja no Monte Castelo às 22:00 da próxima sexta-feira, vá até a mesa de 21, a banca pagará 10 por 1, então aposte seus US$1.000,00 e sairá enfim com os seus 10 mil. A croupiê lhe dará as cartas certas e vencedoras. Preocupe se apenas com sua discrição, pois sua sorte já foi comprada através de uma funcionaria corrupta e é claro, por dinheiro e influencia. Vá até nosso amigo barman, ele terá um descente terno a sua espera.”

Duke havia assistido inúmeros filmes de espionagens, e sabia que esse tipo de mensagem seria mortalmente perigosa em mãos erradas. A amassou e guardou no bolso de sua calça.

Um rápido impulso de medo aumentou a freqüência dos batimentos cardíacos, e ele se questionou mais uma vez em que tipo de situação estava metendo seu nariz. No seu primeiro dia de liberdade fora cúmplice de uma estranha que invadiu, roubou e explodiu... E providenciou que algumas folhas de Titulo ao Portador fossem depositadas em algum banco na Suíça. Uma mulher que faz pagamentos usando métodos mafiosos e possui influencia em cassinos.

Alem de perigoso isso soou divertido.

Raoul Duke sabia de uma coisa: O jogo estava apenas em seu começo... E ele estava disposto a jogar.

(Continua...)